“Acabam as famílias se o STF autorizar o porte e o uso de drogas”

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“Acabam as famílias se o Supremo Tribunal Federal autorizar o porte e o uso de drogas no Brasil”,reage Jani Xavier, mãe indignada ao ser informada sobre o julgamento que vai acontecer em 6 de novembro no STF para decidir sobre ação da Defensoria Pública de São Paulo, que quer eliminar da lei 11.343 o artigo 28, portanto, autorizar no Brasil o porte e o uso de drogas. Jani Xavier tem autoridade para criticar essa ação da Defensoria. Seu filho, Jeferson, morreu aos 27 anos por dependência de maconha e crack. Seu corpo foi encontrado na rua e levado ao Instituto Médico Legal. Foi na véspera do dia das Mães, em 12 de maio de 2017, em Cotia, cidade paulista a 35 quilômetros da capital, onde ele sempre teve facilidade para conseguir drogas, apesar de proibidas por lei federal. Jani, no entanto, como milhares de mães, enfrentou inúmeras dificuldades para tratar o filho. É com palavras de dor, que Jani Xavier descreve o seu sofrimento devastador: “Este é o mês de aniversário do Jeferson.Mas as drogas mataram meu filho e nunca mais vou abraçar o meu filho e dizer o quanto eu o amo. Hoje, vivo só das lembranças de tudo que fiz para salvar meu filho, mas a dor só aumenta e me vejo fraca e desistindo de tudo.” Até hoje, Jani Xavier, mantém na casa inúmeras fotos do filho Jeferson.

Jani Xavier foi mãe que sacrificou tudo pelo filho. Emprego, dias, noites, madrugadas. Fui, algumas vezes, a voz de Jane em finais de noite, finais de semana em solicitações de internações urgentes em São Paulo. História de dor e muito sofrimento que começou “em 2007 , quando o filho começou a usar maconha”. Jani conta: “Ao descobrir que ele fazia uso,procurei interná-lo em uma clínica da rede pública de saúde,que como sabemos são poucas e cuja internação é a curto prazo.Meu filho passou a usar maconha constantemente tornando-se agressivo,violento e chegando a fazer pequenos furtos dentro de casa para comprar o cigarro de maconha,em determinado período ele teve um surto ou seja o primeiro a qual teve que ser contido e levado a um hospital psiquiátrico e veio o diagnóstico esquizofrenia paranoide.Foram inúmeras internações. Mas meu filho fugia. Na última vez, já estava acertada sua transferência para o CRATOD em São Paulo. Mas ele fugiu do pronto-socorro de Cotia.Seu corpo foi identificado no Instituto Médico Legal.”

Nas palavras de Jani, a doença que contraiu com todo esse sofrimento: “Adquiri um câncer e tive uma cirurgia para retirar estômago e vesícula. Perdi uma córnea, fiz dois transplante de córnea. Mas em nenhum momento, eu desisti. Mas meu filho precisava de clínica psiquiátrica.E cada município deveria ser obrigado a ter um Programa de tratamento que funcione e não empurrar seus munícipes para outra região Outras famílias, assim como a minha, continuam perdendo filhos para as drogas. Deveriam amparar as famílias, dar suporte e acolhimento com amor.. Quero meu filho de volta,meu Deus ! Estou em sofrimento!Eu estou sofrendo cada dia mais.”

NO STF – As palavras lancinantes de Jani me causam uma imensa angústia ao lembrar que em 18 dias, exatamente no dia 6 de novembro, o futuro de todos nós estará em julgamento no Supremo Tribunal Federal. É que o Supremo Tribunal Federal irá decidir sobre a ação da Defensoria Pública de São Paulo, que quer eliminar da lei 11.343 o artigo 28 que PROÍBE:

“adquirir, guardar, ter em depósito, transportar ou trazer consigo droga para consumo pessoal”

e também proíbe:

“semear, cultivar ou colher plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica”.

EPIDEMIA DE DROGAS –No Brasil, já há epidemia causada pelo uso de drogas, prejudicando SAÚDF, SEGURANÇA PÚBLICA, EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL EM 86% DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS, denuncia a Confederação Nacional dos Municípios. Traduzindo: os filhos usam drogas e os pais não têm onde tratar. “Tem até crianças usando drogas no Brasil”, adverte Jani citando fatos gravíssimos já denunciados aos conselhos tutelares pela Federação de Amor-Exigente . “E não tem lugar na rede pública para tratar essas crianças e nem a maioria dos adultos dependentes de drogas.”Drogas são causas do aumento do número de suicídio de jovens no Brasil, revelou recente campanha do governo federal, o Setembro Amarelo.

ESPERANÇA OU DESGRAÇA – Portanto, na decisão do STF, manter ou eliminar o artigo 28, esperança ou desgraça . Que os senhores ministros não sejam responsabilizados por tirarem a esperança de mães e pais em todo o país de criarem filhos com saúde e SEM drogas. Porque como descreve com palavras de dor, a mãe Jani Xavier, “quando o filho usa droga, devasta o nosso estado emocional, acaba com a nossa estrutura.”