Internação, presente de Natal, que dona Cleide pede à Prefeitura de SP

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Um grito de socorro interrompeu a caminhada de Marly Lima na manhã desta segunda-feira de sol em São Paulo. Eram sete e quinze, quando viu a cena preocupante. E correu para prestar ajuda. Foi em frente à estação do Metrô Jardim São Paulo, Zona Norte da cidade, onde pessoas entravam apressadas para não chegarem atrasadas aos seus empregos.

Mas Marly parou. E o que ela viu? “Uma senhora de 50 anos desesperada, sozinha e chorando na praça. Seu nome, dona Cleide. Senhora que eu já tinha visto na igreja que frequento.” E ela contou a Marly:

-Estou drogada, passei a noite na cracolândia. Você já esteve na cracolândia, Marly? Lá as pessoas sofrem. Estão morrendo. Usar drogas é muito fácil. Meu filho está preso, eu não consigo sair disso.Não vou mentir estou com uma garrafa de pinga aqui. A pinga também acaba comigo.
O meu companheiro briga comigo e conta pra todo mundo que uso pedra. Eu olho essas pessoas na estação do Metrô e lembro da minha família. Olha onde a droga me jogou: na rua e na miséria!.

Dona Cleide perdeu tudo. E seu endereço passou a ser a praça onde fica durante o dia e dorme no chão de terra, à noite. Ela implora a Marly: “Eu preciso de internação. Já perdi dentes, saúde, e eu vou lá na cracolândia , sabe?Eu quero ser internada. Mas, sozinha, eu não consigo.”

Marly respirou fundo e orientou dona Cleide:

-Dona Cleide, a Senhora precisa de cuidados. Seu companheiro, que não é usuário, quando ele grita, está pedindo ajuda. Ele é o seu verdadeiro amigo. O traficante que se passa por amigo, na verdade está lhe vendendo a morte. Já pensou quem lucra com a sua doença?

E lá estavam ,nesta manhã, Marly e dona Cleide abraçadas, chorando, em frente à igreja Nossa Senhora Aparecida, igreja que há anos, abre as portas para a Sra Cleide tomar pelo menos um banho e assim manter um pouco de sua dignidade.

Emocionada, Marly conta: “Na saída , ela me perguntou se no Natal eu poderia lhe dar alguns ossos para o seu cachorro. E eu chorei. Que impotência!”

Enquanto descrevo esta realidade angustiante, inquietante, fico pensando ONDE ESTÃO OS AGENTES QUE A PREFEITURA INFORMA TER NA CIDADE PARA ATENDER ESSES CASOS? ONDE ESTÃO? E ME DETERMINO LUTAR COM MARLY PARA CONSEGUIR O QUE É, POR LEI, DIREITO DE DONA CLEIDE: TRATAMENTO NA REDE MUNICIPAL DE SAÚDE EM SÃO PAULO. . Estou enviando carta à Prefeitura e rezando para , que neste mês de Natal ,o milagre aconteça e se transforme no melhor presente que dona Cleide poderia receber: sua internação para alcançar o que tanto deseja: sua recuperação.

OUÇA O DEPOIMENTO DE DONA CLEIDE A MARLY LIMA, EXEMPLO NA LUTA CONTRA AS DROGAS EM SÃO PAULO em https://www.facebook.com/alvesizilda