Cuidar de árvores, prioridade na praça onde dependente de crack precisa de tratamento

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Há mais de 24 horas, continua sem resposta a súplica de socorro de uma senhora de 50 anos, dependente de crack, enviada à Prefeitura de São Paulo. A solicitação é para enviar um agente de Saúde para conhecer o caso, acolher essa senhora e levá-la para internação. Mas até agora, apenas promessa de solução. Uma vida em risco e sem atendimento. Contei essa história ontem no Facebook , no Diário Antidrogas e ao meia dia e meia enviei e-mail à Secretaria Municipal da Saúde. Essa senhora fica na praça em frente à Estação do Metrô Jardim São Paulo, na Zona Norte da cidade. Praça onde a Prefeitura está cortando árvores hoje. E a senhora Cleide, está lá sentada no mato, ilhada por galhos, folhas e sob efeito do crack, sem atendimento.

Praça em frente à estação Jardim São Paulo do Metrô, ponde dependente de crack implora por internação. Foto: Marly Lima

Milhares de pessoas que utilizam a estação Jardim São Paulo, do Metrô, na Zona Norte de São Paulo veem diariamente essa senhora e lamentam o seu abandono , principalmente, porque ela está muito doente. Ela contou à ativista antidrogas, Marly Lima, na manhã de ontem: ‘Estou drogada, passei a noite na cracolândia. Você já esteve na cracolândia, Marly? Lá as pessoas sofrem. Estão morrendo. Usar drogas é muito fácil. Meu filho está preso, eu não consigo sair disso.Não vou mentir estou com uma garrafa de pinga aqui. A pinga também acaba comigo.O meu companheiro briga comigo e conta pra todo mundo que uso pedra. Eu olho essas pessoas na estação do Metrô e lembro da minha família. Olha onde a droga me jogou: na rua e na miséria!.Eu preciso de internação. Não consigo parar de usar crack Já perdi dentes, saúde, e eu vou lá na cracolândia , sabe?Eu quero ser internada. Mas, sozinha, eu não consigo.”

Mas seu apelo , que enviei ao meio dia e meia, ontem, à Secretaria Municipal da Saúde,continua sem resposta. E pensar que estamos numa cidade com epidemia causada pelo uso de drogas e onde cracolândias proliferam nas ruas e sob viadutos . Quantos dependentes estarão neste momento implorando por tratamento por riscos até de morte nas cracolândias?

Dona Cleide já perdeu tudo causa do uso de drogas. Mas preste atenção ao que ela pediu a Marly Lima ontem de manhã: “Será que no Natal você poderia trazer alguns ossos para o meu cachorro.?” E Marly chorou. E sentiu o que eu também estou sentindo hoje: impotência ao ver uma pessoa doente, implorando por ajuda na rede pública de Saúde, que ainda não respondeu a esse pedido de socorro. Acontece em São Paulo, até em tempos de Natal.