Epidemia das drogas ainda sem combate de urgência na rede pública

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É madrugada. E nas calçadas, praças e ruas do centro da cidade, dependentes de drogas fumam crack e tornam pública a doença, a miséria e a violência que drogas causam. Eles estão na Estação da Luz, na Praça da Sé, no Pátio do Colégio, em frente ao Mosteiro São Bento, na Praça Marechal Deodoro e em vários bairros. Homens, mulheres, jovens e até adolescentes, todos doentes graves , exibindo uma epidemia que a rede pública de Saúde ainda não trata com a urgência e a eficácia que demonstra em outras epidemias. E eu sinto medo, impotência e raiva ao ver mais um ano acabando e nenhuma solução rápida e eficaz ser adotada pelos que têm poder na Saúde, por não tratar como epidemia. “Na rua você está na linha de frente do perigo e exposto a substâncias e situações que aumentam o risco de psicose.Nós temos 10% da população de rua com psicose grave não tratada porque não temos leitos para internar”, denuncia psiquiatra referência no Brasil, doutor Valentim Gentil Filho, em entrevista a Joyce Pascowitch, no site Glamurama.

Psiquiatra Valentim Gentil Filho: “Na rua você está na linha de frente do perigo e exposto a substâncias e situações que aumentam o risco de psicose. “

É madrugada. E enquanto os responsáveis pela Saúde Pública dormem , mães se desesperam, choram e imploram por milagres que recuperem filhos dependentes de droga. Nas mensagens de mães que me escrevem, palavras de indignação e raiva:’Que governo é esse que não nos ajuda e nos deixa mais doentes, desorientadas e sem saber o que fazer? Se quiser salvar ,ou tirar o filho do perigo que está correndo, terá que fazer sacrifício, e pagar resgate e internação.”

Amanhece. E mais uma vez, termino o ano, elogiando a Federação de Amor-Exigente, que merece todos os prêmios e reconhecimento pelo trabalho excepcional com as famílias de de dependentes de drogas , fazendo de forma voluntária, o que a rede pública de Saúde deveria praticar de manhã, de tarde, de noite e de madrugada no combate à epidemia das drogas: acolhimento e orientação. Mais do que isso: tornando realidade a recuperação. Em nome das famílias, obrigada Miguel Tortorelli, Regina Tortorelli, Mara Silvia Carvalho de Menezes, Deise Tavares, Márcia de Paula, Fábio Magalhães da Silva e aos 10 mil voluntários que formam hoje o maior exército do bem, contra as drogas, no Brasil.