Dona Cleide continua na praça; segundo agentes municipais de Saúde, “ ela preferiu permanecer em situação de rua”

Espalhe essa notícia:

Em 17 de dezembro, contei a história de uma senhora de 50 anos, dona Cleide, dependente de crack,que fica na praça em frente à Estação do Metrô Jardim São Paulo, na Zona Norte da cidade.Ela contou à ativista antidrogas, Marly Lima: ‘Estou drogada, passei a noite na cracolândia. Você já esteve na cracolândia, Marly? Lá as pessoas sofrem. Estão morrendo. Usar drogas é muito fácil. Meu filho está preso, eu não consigo sair disso.Não vou mentir estou com uma garrafa de pinga aqui. A pinga também acaba comigo.O meu companheiro briga comigo e conta pra todo mundo que uso pedra. Eu olho essas pessoas na estação do Metrô e lembro da minha família. Olha onde a droga me jogou: na rua e na miséria!.Eu preciso de internação. Não consigo parar de usar crack Já perdi dentes, saúde, e eu vou lá na cracolândia , sabe?Eu quero ser internada. Mas, sozinha, eu não consigo.”

Dependência de droga dificulta tomar decisões,define o NIDA

A dependência de droga de dona Cleide “é doença que dificulta pensar e tomar decisões porque muda o funcionamento do cérebro, fazendo com que parar o uso seja difícil, mesmo para quem quer. Muda o comportamento e faz perder memória”, define o instituto de pesquisas sobre drogas referência nos Estados Unidos, o Nacional Institute on Drug Abuse.

Secretaria de Saúde responde

Enviei o apelo de socorro de dona Cleide à Secretaria Municipal da Saúde. E a Secretaria enviou equipes, que foram à praça mas informaram que “a usuária Cleide preferiu permanecer em situação de rua, na Praça Nossa Senhora Aparecida, e recusou qualquer processo de internação.”

Na abordagem , foi utilizado o método Redução d e Danos,adotado pela Prefeitura para “ usuários ou dependentes que não podem, não conseguem ou não querem interromper o referido uso, tendo como objetivo reduzir os riscos associados sem, necessariamente, intervir na oferta ou no consumo.(…)  Em todas as ações de redução de danos, devem ser preservadas a identidade e a liberdade da decisão do usuário ou dependente ou pessoas tomadas como tais, sobre qualquer procedimento relacionado à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento”. Este o método adotado pela Prefeitura nos CAPS- Centro de Atenção Psicossocial, que são obrigatoriamente o primeiro centro na rede pública de saúde para diagnóstico e indicação de tratamento a dependentes de drogas.

CFM e Federação de Amor-Exigente contra a Redução de Danos

Na avaliação do Conselho Federal de Medicina “é preciso criar condições para que a população que luta contra o vício das drogas encontre o apoio necessário para abandonar essa prática de vez.Conforme tem sido relatado em diferentes oportunidades pela Secretaria de Cuidados e Prevenção às Drogas, vinculada ao Ministério da Cidadania, a redução de danos, enquanto política pública, apresentava resultados aquém dos esperados pela população brasileira. Assim, entende-se a oportunidade de assegurar ao País uma estratégia de enfrentamento desse problema com base em pressupostos como a abstinência, a recuperação e a sobriedade do indivíduo.”

TAMBÉM A FEDERAÇÃO DE AMOR-EXIGENTE, que representa famílias de dependentes em todo o país. é contra a política de Redução de Danos.

LEIA A RESPOSTA DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE AO DIÁRIO ANTIDROGAS:

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo, por meio da Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Norte, informa que nos últimos três dias (18 a 20) equipes do Programa Consultório na RuaSantana Jaçanã, da UBS Parque Edu Chaves, realizaram a abordagem da munícipe Cleide , que vive em situação de rua na Praça Nossa Senhora Aparecida, próxima ao metrô Jardim São Paulo. A paciente recebeu orientações sobre a importância da retomada do atendimento oferecido pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (CAPS AD) Santana, que deixou de frequentar desde de outubro deste ano. A munícipe concordou em ir ao CAPS na próxima semana e um agente redutor de danos irá acompanhá-la, a fim de reestabelecer seu vínculo com o CAPS.

Cabe ressaltar que, durante o acolhimento das equipes, a usuária Cleide preferiu permanecer em situação de rua, na Praça Nossa Senhora Aparecida, e recusou qualquer processo de internação.

Em abordagens anteriores, a paciente não aceitou a aproximação das equipes, mesmo diante da insistência dos profissionais, segundo os registros em prontuários. No entanto, em uma dessas abordagens, uma equipe conseguiu sensibilizar a usuária para realizar a coleta de exames e sorologia na UBS de referência, realizado no dia 6 de novembro, com acompanhamento de uma agente comunitária.”