No centro de SP uma imensa cracolândia, sinônimo de doença, violência e tráfico de drogas

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Doentes, sujos e descalços, homens, mulheres e até adolescentes, de todas as classes sociais, fumam crack nas calçadas de ruas residenciais, comerciais, próximo a escolas e igrejas tornando o centro de São Paulo uma imensa cracolândia, palavra que significa três desgraças: doença, violência, tráfico de drogas. Pelo crack, dependentes roubam, se prostituem e até matam.Como eles dizem, “vale tudo para conseguir celular, relógio ou dinheiro para comprar a próxima pedra”. Estudo da Universidade Federal de São Paulo e do Conselho Federal de Medicina denuncia: “Um terço dos dependentes de crack mantêm o uso e outro terço morre, sendo que em 85% dos casos são relacionados à violência”.Pesquisas provam que o crack prejudica cérebro, fígado, coração, pulmões e rins.

Em SP, mães contam que têm de pagar por resgate e clinicas particulares se quiserem tirar filhos de cracolândias



Mães chorando são cenas angustiantes, mas frequentes no entorno dessas cracolândias, autorizadas pela Prefeitura na Estação da Luz, na Praça da Sé, no Pátio do Colégio e em vários bairros da maior cidade do País. São mães que não conseguem nem da Prefeitura nem do Estado o cumprimento do que determina a lei federal 13.840, em vigor desde junho do ano passado: a internação involuntária em hospital psiquiátrico do SUS para dependentes que estiverem colocando em risco suas vidas e a de terceiros, como os que estão em cracolândias. A lei também determina à rede pública ter ambulâncias e equipes para buscar esses dependentes em risco. Mas em São Paulo é frequente ouvir mães revelarem que tiveram de pagar resgate para tirarem seus filhos desse inferno. Elas definem como grande sacrifício, porque além de pagarem resgate têm de manter o filho em clínica particular. Resumindo: o que a lei federal garante a essas famílias, Prefeitura e Estado ignoram em São Paulo.

Dois mil dependentes de crack na região da Luz, no centro de SP

Foto:/Agência Brasil)

A Prefeitura não tem números sobre a quantidade de dependentes de crack hoje na cidade de São Paulo. Mas admite que só na região da Luz, onde mantém guardas municipais e policia militar 24 horas no entorno dessa cracolândia, há dois mil dependentes nas ruas e calçadas, próximo à Estação de trem Júlio Prestes e à Sala São Paulo, onde intelectuais assistem a concertos de música clássica. Na região da Luz, a maioria dos moradores já foi expulsa pelos traficantes, que também esvaziaram escolas pública e particular, onde estudavam crianças e adolescentes. Na quarta-feira, um policial militar levou um tiro na perna, após prender seis traficantes na região da cracolândia da Estação da Luz. Até o momento, não foi identificado o autor do tiro. Dependentes são incentivados pelos traficantes a reagirem a qualquer ação dos policiais, quando tentam evitar a entrada de droga nessa região do centro de São Paulo.

Promessa do Governador: hospital no lugar da cracolândia
Em agosto do ano passado, o governador João Doria anunciou que iria acabar com a cracolândia da região da Luz para construir o Hospital Pérola Byington, que trata sete tipos de câncer em mulheres e atende também casos de estupro. Até o momento, a cracolândia continua na região da Luz.

RECOMEÇO, a esperança das famílias que a Prefeitura ignorou



Desgraças que marcam São Paulo, apesar de em 2013 , ter sido o estado pioneiro na criação de programa com assistência médica e judiciária para resgate de pessoas vitimadas pela drogadição e de assistência às suas famílias. O Programa Recomeço nasceu com o objetivo de tirar das ruas , principalmente, os dependentes de crack da região da Luz no centro da capital. Foi criado um Plantão Judiciário no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas do Estado de São Paulo (Cratod) para agilizar internações involuntárias e até compulsórias, quando a família não é localizada. A Secretaria de Justiça criou o programa. E a então Secretária da Justiça, doutora Eloísa Arruda, faz um balanço da iniciativa:“Havia a avaliação médica de um clínico e de um psiquiatra, para definir a modalidade do tratamento a ser ministrado, após o atendimento pela área social. No primeiro ano do Plantão Judiciário, houve apenas dois casos de internação involuntária e compulsória. Ao todo, foram 26.988 encaminhamentos, sendo que 13.586 pessoas foram atendidas diretamente pelo Cratod.”

Mas a oposição reagiu. A Prefeitura voltou a adotar no CAPS, que são a primeira unidade da rede para diagnosticar a doença e definir o tratamento, a Redução de Danos, que na prática, significa SÓ tratar se o dependente autorizar. Segundo o Programa Redenção, há dois hospitais para a internação de dependentes na cidade: O Cantareira e o Irmãs Hospitaleiras.

No CRATOD, responsável no Estado pela definição de políticas públicas para promoção de saúde, prevenção e tratamento dos transtornos decorrentes do uso de álcool, tabaco e outras drogas, nota da Assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual da Saúde informa: “De janeiro de 2013 a outubro de 2019, o programa viabilizou mais de 97,3 mil triagens e acolhimentos, desintoxicação de 20,2 mil pessoas, encaminhamento de 35,1 mil pacientes a Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e 7,5 mil para acolhimento em comunidades terapêuticas.” Ou seja, em 81 meses foram realizadas ,mensalmente, 1.201 triagens, 249 desintoxicações e 92 acolhimentos em comunidades terapêuticas.
“ Cabe lembrar”, informa a nota da Secretaria, “ que a internação de dependentes químicos só é indicada para casos mais graves, conforme avaliação médica, cabendo também aos profissionais avaliarem o período, conforme cada caso. O
s demais pacientes devem ser acompanhados ambulatorialmente nos Caps AD (Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas) das prefeituras.”

“É PRECISO LEI QUE PROÍBA USO DE DROGAS NAS RUAS”

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Para a doutora Eloísa Arruda, é necessária uma lei que proíba o uso de drogas nas ruas , porque “ vivemos numa sociedade e não é possível liberdade tão plena em que se possa prejudicar o outro . Estados Unidos, Portugal, Holanda proibiram o uso de drogas em via pública, porque é risco à Segurança.”

A lei 11.343 /2006 determina que quem for flagrado usando droga na rua deve ser levado a um plantão policial para assinar um termo cicunstanciado e ser feita a comunicação aos pais. Lei também não cumprida em São Paulo, onde autoridades chegam a alegar que “o Supremo Tribunal Federal irá liberar o porte de drogas no Brasil.” Ação solicitando a liberação do porte e do uso de drogas está para ser julgada no STF.


Como tem alertado o Secretário Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas, do Ministério da Cidadania, psiquiatra Quirino Cordeiro Júnior é necessário fazer cumprir a lei no Brasil para tratar os dependentes e suas famílias. “Não é mais possível aceitar a Redução de Danos e a política que fechou 100 mil vagas para internar dependentes de drogas e doentes mentais no País, causando uma grave desassistência com consequências gravíssimas como aumento no número de cracolândias,crescimento das taxas de suicídio nos últimos 15 anos e aumento no número de indivíduos com transtornos mentais graves em situação de rua.”


O governo federal está investindo. Portanto, cabe a prefeitos e governadores participarem deste grande projeto para recuperar dependentes e voltar a unir famílias no Brasil.