“Usar droga acaba sendo uma postura suicida”, define jovem internado por um ano

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“Usar droga acaba sendo uma postura muito suicida”, define dependente de drogas em recuperação. O jovem da alta classe média de São Paulo ficou internado um ano por dependência de bebida, maconha, cocaína e crack. Ele participou da campanha que coordenei durante 12 anos em 700 escolas públicas e particulares do Estado de São Paulo. Foi indicado pelo Diretor da Clínica Greenwood, psiquiatra Pablo Roig.O seu depoimento está no livro “Guerra pela vida- A campanha da Jovem Pan contra as drogas”:


“Quem me ofereceu foi um amigo. Eu experimentei por curiosidade”

“ Primeiro, foi pura curiosidade. Amigo me falava que era um barato legal mas eu era super contra. Não fumava, não bebia. Mas o cara que me oferecia era muito engraçado. Então experimentei a maconha. Usava para embalar o meu uso de maconha o Bob Marley, os rastafáris. Fumava baseado todo dia. Depois, maconha já não me satisfazia. Queria participar da galera alternativa. Comecei experimentando ecstasy,depois ecstasy com ácido e depois, sinceramente,me perdi. Virei cobaia de mim mesmo.


O psiquiatra Pablo Roig explica: dependência de drogas é doença.” A droga vem para complementar o que faz falta na vida da pessoa. Depressão tratada com cocaína, inibição tratada com maconha. Só que ao optar pela droga a pessoa cai numa armadilha. Passa a viver impulsivamente sem pensar nas consequências. Há uma experiência com rato que mostra bem isso. Primeiro, deixaram o ratinho sem se alimentar, só tomando água e usando cocaína. Depois, puseram uma fêmea no cio para ver como seria a reação do rato. Ele preferia a cocaína, ignorava a fêmea. Cercaram com fios a gaiola, então. Para dificultar chegar à cocaína o ratinho tomava choque elétrico. Mesmo assim ele tomava choque para cheirar cocaína. Entrava em convulsão e usava cocaína. Os cientistas decidiram, então, liberar o uso. O ratinho entrava em convulsão e quando se recuperava voltava a cheirar cocaína. Uma nova dificuldade foi criada: o ratinho teria de tocar no botão para cocaína de sete a oito mil vezes para conseguir cheirar essa droga. E ele fazia isso. Uma experiência que mostra como se passa a viver em função da droga. E sentindo exatamente o contrário do se procura. Quem está deprimido e acha que vai encontrar solução na cocaína, acaba ficando mais deprimido ainda e com distorção do pensamento. Perde valores, perde noção da preservação da pessoa e da espécie. Passa a viver de impulsos. No tratamento, temos de recuperar todas essas perdas.”

“Eu me tornei um kamikaze, de certa forma eu queria morrer”

“Eu nunca pensei em me suicidar”, conta o rapaz em recuperação .”Mas eu era um kamikaze, de certa forma eu queria morrer, tamanho era o risco que eu procurava. Vivia em constante desafio. Usar droga acaba sendo uma postura muito suicida. “

GUERRA PELA VIDA- A CAMPANHA DA JOVEM PAN CONTRA AS DROGAS , publicação das editoras TRIALL e SARVIER-https://www.sarvier.com.br/