Cracolândias e o não cumprimento da lei federal 13.840,que completa um ano hoje, aumentam nestes tempos da COVID-19 os riscos para mães de dependentes de drogas no Brasil

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Foto: Carlos Torres, publicada no livro “Guerra pela vida´A campanha da Jovem Pan contra as drogas”

Artigo assinado pelo psiquiatra Pablo Miguel Roig,CRM 24968,dra.Eloisa Arruda e pelo Presidente da FEAE, Miguel Tortorelli***, que participam da campanha “PAIS CONTRA AS DROGAS”

Na São Paulo das cracolândias, onde é fácil conseguir droga, mães de dependentes são grupo de alto risco para a Covid-19. São senhoras de 60, 63, 66 anos que estão isoladas em seus apartamentos ou casas, mas de madrugada, recebem telefonemas para irem buscar filhos jogados nas ruas sob efeito de drogas. Ou são informadas por interfone que filhas estão em táxis nas portas de seus condomínios, com motoristas cobrando e advertindo que estavam na região da cracolândia. Muitas vezes, esses dependentes ficam cinco, seis dias fora de casa usando drogas e, depois, retornam podendo contaminar suas mães porque estiveram em locais de alto risco para o novo coronavírus.

Dra. Eloísa Arruda

Retrato preocupante do que ocorre em São Paulo e em 85% das cidades brasileiras com cracolândias, conforme números da Confederação Nacional dos Municípios.Cidades que ignoram a lei federal antidrogas 13.840/2019, que está completando UM ANO hoje,5 de junho. Lei que estabelece o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas e define as condições de atenção aos usuários ou dependentes e autoriza pais a solicitarem a psiquiatras até a internação involuntária de filhos em hospitais do SUS, quando está colocando em risco sua vida e a de terceiros, como os que e estão em cracolândias.

Dependência de droga é doença que desestrutura de tal forma o cérebro, que a droga passa a ser prioridade. Cada dependente afeta pelo menos 10 pessoas de seu entorno,causando separação, medo e violência. Entidades que orientam e prestam assistência a familiares de dependentes de drogas, como a Federação de Amor-Exigente, têm constatado o aumento dos casos no Brasil de mães aflitas que,nestes tempos de pandemia,buscam internação involuntária para recuperar os filhos mas enfrentam imensas dificuldades na rede pública pelo não cumprimento da lei 13.840/2019.

Miguel Tortorelli, Presidente da Federação de Amor-Exigente

O isolamento forçado, como o que estamos vivendo, é também campo fértil para o agravamento do consumo de drogas tanto lícitas como ilícitas, causando ou agravando quadros de depressão,ansiedade, insônia, violência doméstica e divórcios.E drogas,em sua maioria,agem negativamente em relação à imunidade, sendo que esta é de total importância como elemento protetor contra o novo coronavírus, que causa a COVID_19. Opiáceos claramente diminuem a imunidade, assim como outras drogas que modificam o equilíbrio biológico dos usuários. Drogas fumadas, como a maconha, o crack e o tabaco em cigarro, narguilé, charuto,cachimbo e cigarro eletrônico provocam inflamação das vias respiratórias, facilitando, portanto, o efeito agravante do novo coronavírus que ataca os pulmões. Nas cracolândias, além da droga fumada, há aglomeração e muita sujeira, facilitando, portanto, a contaminação.

Lei prevê também a possibilidade de internação compulsória, quando familiares não são localizados mas o dependente tem surtos psicóticos pelo uso de drogas nas ruas.Importante esclarecer que todos os tipos de internação devem ser informados ao Ministério Público, à Defensoria Pública e a outros órgãos de fiscalização.

Portanto, enquanto a lei 13.840/2019 não for cumprida, a dor vai substituir o amor, além de colocar em risco mães de dependentes que não encontram amparo na rede pública de Saúde para recuperar filhos dependentes de drogas.

**Psiquiatra Pablo Miguel Roig, CRM 24968, especialista há 42 anos no tratamentos de dependentes de drogas e diretor da Clínica Greenwood;, referência para psiquiatras do Brasil, da Argentina, dos Estados Unidos e da Espanha.

***Doutora Eloisa Arruda Professora de Direito Processual Penal da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (graduação e pós graduação), que foi Secretária Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo (2017-2018) e Secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo (2011-2014);

***Miguel Tortorelli, Presidente da Federação de Amor-Exigente, que atende e orienta , gratuitamente, por ano, um milhão e 200 mil famílias de dependentes de drogas no Brasil.