“Crime organizado: o elo perdido nas políticas de drogas”, carta dos psiquiatras Ronaldo Laranjeira (EPM/Unifesp) e Marco Bessa (Universidade Federal do Paraná) e do cientista David Martin (JMJ Technologies), publicada pela revista científica The Lancet

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“Drogas ilegais e seus efeitos na saúde pública foram discutidos em 2019 em uma série de artigos na Revista Lancet. No entanto, os autores da série não analisaram como uma empresa criminosa global, o complexo industrial de abuso de drogas, é a origem do problema. Essa rede global envolvendo crime organizado, políticos corruptos, lavagem de dinheiro e sistemas de distribuição perpetua essa crise de saúde pública. Temos motivos para acreditar que o comércio de drogas agora está se expandindo sob o disfarce da cannabis legal e canabidiol, especialmente na América do Norte, com alcance para outros mercados da América do Sul, Europa e Ásia.

A polícia holandesa divulgou um relatório afirmando que o crescimento do crime organizado está criando um narco-estado. As políticas públicas sobre drogas devem considerar o crime organizado, ou serão incapazes de abordar a prevenção e redução do uso de drogas e crimes relacionados ao uso de drogas, pelas perspectivas da saúde pública e da aplicação da lei. De certa forma, a Holanda criou o ambiente perfeito para o comércio de drogas. O país possui uma extensa rede de distribuição, legislação branda sobre drogas e proximidade com vários mercados lucrativos. Assim, a Holanda é um centro óbvio para o fluxo global de narcóticos.

Se profissionais de saúde, pesquisadores e formuladores de políticas optarem por deixar o crime organizado de lado na discussão, pagaremos um preço alto. O crime organizado é a causa da crise do uso abusivo de drogas na sociedade. Décadas da política de drogas tiveram seus efeitos limitados por ignorar o crime organizado, e a discussão sobre o crime organizado deve ser incluída em discussões futuras sobre política de drogas.”

https://www.thelancet.com/…/PIIS0140-6736(20)30218…/fulltext

Psiquiatras Marco Bessa e Ronaldo Laranjeira, em evento sobre drogas realizado pelo CRM-PR