Internação involuntária de dependentes: Coordenadoria de Saúde Mental do Ministério da Saúde sem resposta a famílias e especialistas, apesar de lei e decreto do governo federal autorizarem

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No Brasil das cracolândias, Ministério da Saúde pede tempo para especialistas que propõem solução imediata para o maior sofrimento das famílias hoje no Brasil: a internação involuntária de filhos ou pessoas queridas nas cracolândias do país. Por que involuntária? Porque o crack desestrutura de tal forma o cérebro, que a droga passa a ser a única prioridade. Pedir tempo para resolver esse grave problema de saúde pública no Brasil, onde 85% dos municípios têm cracolândias, foi a resposta da Coordenadora de Saúde Mental do Ministério da Saúde, psiquiatra Maria Dilma Alves Teodoro, nesta segunda-feira, após reunião de duas horas , em Brasília com 14 representantes de clínicas especializadas no tratamento involuntário de dependentes de drogas no Brasil.

Psiquiatra Maria Dilma Alves Teodoro, do Ministério da Saúde

“Minha resposta será em documento”, anunciou no final da reunião a doutora Maria Dilma Alves Teodoro, depois de orientar os especialistas a “encaminharem o assunto para outro setor do Ministério, como o de médias e altas complexidades”.

Reunião dos 14 especialistas nesta segunda-feira na Coordenadoria de Saúde Mental do Ministério da Saúde

O encontro foi solicitado pelo fundador da FEBRACI-, Federação Brasileira das Clinicas Involuntárias- e presidente da CONFENACI, Roberto Brunelli.

Roberto Brunelli

O objetivo , explica Brunelli, era solicitar ao Ministério da Saúde para prefeituras cumprirem o Decreto Presidencial 9.761/19( Art. 5.1.4) , assinado pelo então ministro Henrique Mandetta e outros três ministros : Justiça, Cidadania e Mulher e Família. O Decreto determina em seu artigo Art. 5.1.4:

Promover e garantir a articulação e a integração das intervenções para tratamento, recuperação, reinserção social, por meio das Unidades Básicas de Saúde, Ambulatórios, Centros de Atenção Psicossocial, Unidades de Acolhimento, Comunidades Terapêuticas, Hospitais Gerais, Hospitais Psiquiátricos, Hospitais-Dia, Serviços de Emergências, Corpo de Bombeiros, Clínicas Especializadas, Casas de Apoio e Convivência, Moradias Assistidas, Grupos de Apoio e Mútua Ajuda, com o Sisnad, o SUS, o SUAS, o Susp e outros sistemas relacionados para o usuário e seus familiares, por meio de distribuição de recursos técnicos e financeiros por parte do Estado, nas esferas federal, estadual, distrital e municipal.”

Cracolãndia da Luz, em SP, a maior do Brasil. Foto: Carlos Torres , no livro “Guerra pela vida- A campanha da Jovem Pan contra as drogas”

Mas as prefeituras, para desespero das famílias, têm adotado nos CAPS, A POLÍTICA DE REDUÇÃO DE DANOS, onde o psiquiatra pergunta até ao dependente, que está colocando sua vida em risco e a de terceiros, se ele quer tratamento. Consequências: aumento do número de dependentes em cracolândias e banalização do uso de drogas.

PORTANTO, FAMÍLIAS E ESPECIALISTAS SAÍRAM SEM RESPOSTA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE NESTA SEGUNDA-FEIRA PARA O MAIOR PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA HOJE NO BRASIL: A EPIDEMIA CAUSADA PELO USO DE DROGAS, COM CASOS GRAVÍSSIMOS QUE SOMENTE A INTERNAÇÃO INVOLUNTÁRIA PODE RECUPERAR. COMO NÃO HÁ VAGAS NA REDE SUS DE HOSPITAIS, QUEM NÃO PODE PAGAR CLÍNICA PARTICULAR, PERDE O FILHO PARA A DEPENDÊNCIA DE DROGAS.

Participaram:

  • Renata Brunelli, Gestora Pública e presidente da FEBRACI;
  • Alessandro Rodrigues, Empresário e presidente do COMAD/Itapeva,MG e da Federação Sudeste de Clínicas (MG);
  • Dr. Juan Pablo Roig Albuquerque, psiquiatra e Diretor da Clínica Greenwood (SP);
  • Dr. Urânio Paiva, Médico Clínico e Diretor da Clínica Árvore da Vida (AL);
  • Bruno Dayrel, Empresário e presidente da Federação Centro-oeste de Clínicas (GO);
    *Carlos Gonçalves, Empresário e Diretor da Clínica Renascer (MG);
  • Pablo Coelho,empresário e Presidente da Federação do Sul de Clínicas;
    *Sinésio Leles de Souza . Diretor das Clínicas Jesus Cristo Salvador. Presidente da comunidade terapêutica Jesus Cristo Salvador, norte de Minas;
    *Ana Flávia Reis dos Santos Souza. Coordenadora do grupo de Amor exigente, Pirapora Minas Gerais. Promotora de serviços sociais ligados a famílias.;
    *Brenda Paiva Advogada-pós graduanda em dependência química.
    *Dominique Bonorino Damiani Barbosa, Psicóloga.