“Nós, educadoras, temos que estar muito atentas ao que está acontecendo com os alunos.” Eliana Vitor Pereira do grupo “Professoras contra as drogas”

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Artigo da professora Eliana Vitor Pereira, do movimento “`Professoras contra as drogas- Por um Futuro Melhor”,que está sendo criado em São Paulo pela pedagoga Margaret Loureiro.

“Olá! Eu me chamo Eliana Vitor Pereira., sou professora há 25 anos, já lecionei para EJA(Ensino de Jovens e Adultos), fundamental II , médio, suplência, recentemente fundamental I e no momento estou na educação infantil. Durante a minha caminhada como educadora já vi muitos alunos se perderem nesse mundo das drogas. Eu tive uma maior percepção dessa problemática quando eu passei a ser professora polivalente, estar em uma sala de aula, com uma única turma, pois antes disso eu era especialista em educação física e quando se é especialista a nossa visão referente a aprendizagem não é tão profunda quando se é polivalente.

O que mais me chama a atenção dentro desse mundo cruel das drogas, não é o quanto ela é nociva para quem usa ou trafica (que seria de forma direta), mas para a família ou outros com que estejam de alguma forma se relacionando. Porque eu digo isso, as pessoas e a sociedade de um modo geral só comentam a nocividade das drogas para o usuário e esquecem o quão também é prejudicial e nocivo para aos que estão próximos desse usuário, esquecem que existe o alcoolismo que também é grave, enfim vamos ao que interessa.

Foi na educação infantil que aprendi o quanto as drogas, sejam elas lícitas ou não lícitas, prejudicam a aprendizagem do indivíduo, não que as crianças usem, mas as pessoas que estão no seu convívio. No primeiro ano em que entrei na prefeitura, onde trabalho atualmente, comecei dando aula para uma turma de estagio II ( 5 anos ), e no meio de tantos rostos, me deparei com uma aluna que tinha muitas dificuldades para se concentrar e compreender tudo que era proposto, fiquei intrigada, preocupa de como eu iria fazer com que aquela criança aprendesse algo. Porém era uma criança que tinha um bom relacionamento com os colegas, percebia que tinha força de vontade, mas parecia que não caminhava. Foi então que descobri que seu pai era alcoólatra e maltratava a sua mãe, além disso ela ajudava a olhar seu irmão mais novo e em alguns afazeres de casa. Como uma criança vai se concentrar em aprender algo, mesmo de maneira lúdica, estando preocupada com que lhe espera em casa? Complicado não é mesmo?!

Sei que essa criança com muito esforço de ambas as partes (professora e aluna), conseguiu avançar no seu desenvolvimento, mesmo em meio a confusão, a mistura de sentimentos, responsabilidades que não lhe cabiam, enfim, fiz o que pude, o que estivesse ao meu alcance. Conversava muito com ela e nos seus relatos havia muita discussão, muita ofensa, era muito triste, fora que ela vivia em uma comunidade que tinha pontos de tráfico e muitos toques de recolher devido as brigas entre gangues, era uma vida sofrida. Consegui conversar com a mãe, procurei orientá-la sobre os seus direitos e sua segurança, sei que no fim a mãe separou-se definitivamente do marido, porém não sei como estão, eu espero que melhor.

Acompanhei muitas histórias desse tipo, vi muitas crianças chorarem do nada, brigarem com tudo e com todos, se distraírem por qualquer coisa, se isolarem, ter uma baixa estima acentuada, e isso tudo acaba sendo passado no desenho , nas cores que ela usa, na falta de concentração, na dificuldade de compreensão das coisas e outros.

Nós educadoras temos que estar muito atentas ao que está acontecendo com os alunos . Nada como um bate papo para se inteirar do seu pequeno mundo, partindo daí o início de nova jornada.”

COORDENADORA DO MOVIMENTO “PROFESSORAS CONTRA AS DROGAS-Por um futuro melhor”, pedagoga Margaret Loureiro

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