Caso Guarujá: igreja de Minas Gerais vai pagar o tratamento do adolescente dependente de crack

Espalhe essa notícia:

“Deu tudo certo, graças a Deus! ”, comemorava nesta madrugada mãe do Guarujá , após internar o filho adolescente dependente de crack em clínica particular no interior de São Paulo no final da noite deste domingo. Mensagem me enviada às três da manhã, pelo WhatsApp, quando a senhora Valéria Ferreira, o padrasto e o tio do menino voltaram para casa no Guarujá , litoral de São Paulo, após a internação. A SOLUÇÃO VEIO DE IGREJA DE CIDADE A 379 QUILÔMETROS DO GUARUJÁ. Da pequena cidade de Minas Gerais , Botelhos, a Igreja “Ministério Apostólico Conhecendo Cristo No Partir do Pão” avisou à mãe que pagaria a internação. A SOLICITAÇÃO à Igreja foi feita por uma senhora, que atendeu pedido da amiga de dona Valéria, após assistir ao vídeo que publiquei quinta-feira em minha página do Facebook e que já está com mil compartilhamentos.

Eu e o Presidente da Federação de Amor-Exigente, Miguel Tortorelli, acompanhamos o caso desde quinta-feira, quando recebemos o vídeo. INTERNAÇÃO PAGA. MAS QUEM LEVARIA PARA A CLÍNICA O GAROTO, DEPENDENTE DE CRACK, COM CRISES GRAVÍSSIMAS CAUSADAS PELA NECESSIDADE DA DROGA?Mais uma vez, sem resposta da Rede Pública de Saúde só tinha um jeito: no começo da noite deste domingo ,mãe, padrasto e o tio do garoto decidiram que o levariam no carro da família. Saíram às sete da noite do Guarujá, atravessaram o Estado e chegaram à clínica, no interior de São Paulo, no final da noite, regressando ao Guarujá às três da manhã.

O vídeo foi gravado após a médica Ana Beatriz Tanios, de clínica particular, afirmar em laudo de 5 de novembro, que “há seis meses, o paciente se encontra agitado e com comportamento alucinatório se colocando em situação de risco, sem condição de tratamento ambulatorial, sugerindo, portanto, a internação”. Mas a mãe, que mora numa comunidade, não conseguiu resposta na rede pública do Guarujá para a internação: “ ME DISSERAM QUE SE ELE NÃO ACEITA A INTERNAÇÃO, NÃO ADIANTA, PORQUE SE INTERNAR, QUANDO SAIR, VAI USAR DROGA DE NOVO. SE LIMITARAM A ME DAR UM REMÉDIO PARA ELE TOMAR DE 8 EM 8 HORAS, IGNORANDO O QUE EU DISSE: ELE NÃO PARA EM CASA E USA DROGA O TEMPO TODO.

Renata Brunelli

Desesperada, telefonou, então à FEBRACI-Federação Brasileira das Clínicas para Dependentes de Drogas, em Santa Rosa do Viterbo, cidade paulista a 300 quilômetros da capital. Foi atendida pela Presidente, Renata Brunelli, que explicou haver muitas dificuldades legais para internação involuntária de um dependente adolescente e recomendou a gravação do vídeo.O vídeo foi me enviado na tarde de quinta-feira, quando publiquei , após conversar com Miguel Tortorelli e a mãe , por telefone.No mesmo dia, eu e Miguel Tortorelli procuramos as autoridades, com telefonemas e envio de e-mails. Receberam e-mails informando sobre a gravidade do estado de saúde do garoto a Secretaria da Saúde do Guarujá e a Secretaria Estadual da Saúde do Estado de São Paulo. Publiquei na página do prefeito do Guarujá, VALTER SUMAN (PSB) , APELO PARA ASSISTIR AO VÍDEO. MENSAGENS SEM RESPOSTAS ATÉ NESTE DOMINGO.

Neste domingo, dona Valéria recebeu mensagem pelo WhatsApp da Secretaria da Saúde do Guarujá solicitando que ela fosse hoje, segunda-feira, às 10h da manhã à unidade informada. Também foi procurada por Willian Guerreiro, do Educasurf, que mantém no Guarujá o projeto SALVA -VIDAS ANTIDROGAS. “ Estive lá na casa dela e fiquei assustado em ver o estado do garoto, pois ele já participou de atividades nossas aqui no Educasurf.”

UMA HISTÓRIA DE USO DE DROGAS QUE COMEÇOU COM MACONHA,depois, cocaína e crack. Da janela de sua pequena casa, dona Valéria Ferreira via o filho, de 16 anos, na rua, usando drogas. “Ele ficava até cinco dias na rua sem voltar pra casa. Quando vinha, eu tinha de fechar armários com cadeados. Tínhamos medo porque ele chegou a quebrar as portas do guarda-roupa do meu filho mais velho e levou todas as roupas para pagar o traficante. Ele chegava com os pés sangrando, sujo , cada vez mais magro e totalmente descontrolado.”

CASO DO GUARUJÁ REVELA AS DIFICULDADES, APESAR DE LEIS EM VIGOR AUTORIZAREM A INTERNAÇÃO INVOLUNTÁRIA PELO SUS

HÁ DOIS ANOS, esta mãe procurou, sem conseguir, RESPOSTA NA REDE PÚBLICA DE SAÚDE DO GUARUJÁ. RETRATO das imensas dificuldades enfrentadas por famílias de adolescentes já na dependência de drogas no Brasil das cracolândias apesar de estar escrito na Constituição que”SAÚDE é direito de todos e dever do Estado”. Direito também garantido no Estatuto da Criança e do Adolescente e na nova lei antidrogas em vigor desde o ano passado no Brasil, a 13.840, que autoriza no artigo 23A famílias ou agentes de saúde pedirem a internação involuntária ao psiquiatra, quando o dependente de droga já está colocando em risco sua vida e a de terceiros, caso do adolescente do Guarujá, conforme laudo de médica de clínica particular em 5 de novembro. A grande dificuldade desta família e de milhões que têm filhos em cracolândias é que os CAPS administrados pelas prefeituras trabalham, EM SUA MAIORIA, com o método Redução de Danos, que significa “ações de saúde dirigidas a usuários ou a dependentes que não podem, não conseguem ou não querem interromper o referido uso, tendo como objetivo reduzir os riscos associados SEM NECESSARIAMENTE INTERVIR NA OFERTA OU NO CONSUMO.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *