Redução de danos nos CAPS, mas nas ruas dependentes como dona Cleide, que implora:”Eu quero ser internada!”

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Fotógrafa:Marly lima

A senhora descalça, que espia pela janela, reza por um milagre. Na janela da igreja da praça, seu endereço desde 2019, ela implora a Deus pelo direito que lhe negam: uma internação. Quer se libertar de sua escravidão, o crack. É domingo, o padre celebra uma missa. E ela chora. Lembra dos dias com a família , quando fazia planos e dobrava os joelhos em igrejas para fortalecer esperanças. Seu nome é Cleide e seu endereço é a praça em frente à Estação do Metrô Jardim São Paulo, na Zona Norte da cidade. Seu deserto aos 50 anos, onde arrasta uma vida sem esperança. Sua desgraça é o exemplo vivo do que a Prefeitura faz com dependentes como ela. Ao invés de internação para recuperação, oferece a Redução de Danos, que tem como objetivo “ estabelecer ações para o estímulo à adoção de comportamentos mais seguros no consumo de drogas que causem dependência” mas “sem, necessariamente, intervir na oferta ou no consumo”.

O padre da Igreja da praça prometeu internação para dona Cleide, que desde 2019 tem sua doença, a dependência de crack, conhecida pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (CAPS AD), em Santana, Zona Norte da cidade.. Em 2019,“ um agente redutor de danos iria acompanhá-la, a fim de restabelecer seu vínculo com o CAPS.” Estamos em 2021. E dona Cleide descreve numa frase sua solidão e desespero: “ Não consigo parar de usar crack Já perdi dentes, saúde, e eu vou lá na cracolândia, sabe?!”

Dona Cleide, uma das milhares de dependentes de crack na cidade de São Paulo à espera de um milagre: internação para recuperação. Ela confessou à Marly Lima, ativista antidrogas, que enxergou sem medo ou preconceito aquela mulher sozinha sentada no chão e entrou na praça para conhecer sua história: “ Eu olho essas pessoas na estação do Metrô e lembro da minha família. Olha onde a droga me jogou: na rua e na miséria!Eu quero ser internada. Mas, sozinha, eu não consigo!”