“COM A MACONHA, COMEÇOU A AUTODESTRUIÇÃO DA MINHA VIDA.” Rafael Passos, em recuperação há um ano e sete meses

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Depoimento de Rafael Passos, que me autorizou divulgar o seu nome e sua foto

“EXPERIMENTEI MACONHA COM AMIGOS DE ESCOLA”

“Me chamo Rafael Passos, e sou um dependente químico. Hoje, em recuperação há um ano, 7 meses e alguns dias. Mas nem sempre foi assim…

Minha história com o uso de drogas ilícitas se iniciou com a maconha, aos 16 anos. Nunca havia experimentado nem tido curiosidade de experimentar a maconha. Um dia, com amigos da escola, combinamos de ir a uma festa. Me lembro que esta festa foi uma das primeiras, se não a primeira, que fui sem ter algum responsável (maior de idade) por perto. Antes de irmos para a festa, nos reunimos numa praça, e um amigo de um dos meus colegas estava com maconha. Ele fez o baseado e começou a fumar, e outras pessoas ali também fumaram. Eu, para não ser o ‘’estranho’ da turma, aceitei e também fumei. Me senti parte do grupo, e essa ‘’pressão’’ dos pares me fez fumar o restante da noite.”

FESTA DE ADOLESCENTES COM BEBIDA E MACONHA

“Durante a festa, me lembro de ter continuado a fumar junto com a ingestão de bebidas alcoólicas. Isso me levou a um apagão, onde apenas me lembro de ter ficado tonto e de repente, tudo ficou preto. Eu apenas via flashes, que se alternavam com os apagões. Era como se eu abrisse e fechasse os olhos repetidas vezes, e cada vez que abria os olhos era uma pessoa diferente me segurando e perguntando se estava tudo bem. Por fim, a festa acabou e meus amigos me encontraram num canto, sentado no chão, dormindo encostado numa lata de lixo. “

“ FUMAVA COM A TURMA,APESAR DE FICAR LENTO E PREGUIÇOSO”

“Após esse episódio, fumei outras vezes com amigos, sempre pela mesma questão: a ‘’pressão dos pares’’. Não queria ser o ‘caretão’ da turma, queria me sentir descolado, me sentir rebelde. Porém não gostava do efeito do uso prolongado dessa droga, pois me deixava muito pra baixo, muito lesado, lerdo e preguiçoso. “

“COCAÍNA, CONHECI COM QUEM FUMAVA MACONHA”

Até que eu conheci a cocaína. A cocaína literalmente acabava com todos os efeitos colaterais que eu não gostava na maconha. Nessa época, eu já estava inserido na ‘’cultura do uso’’ de drogas. Muitos amigos usavam, e nos reuníamos aos fins de semana para usar e nos divertir. Usar drogas era a nossa ideia (distorcida) de diversão. Já fazendo o uso de cocaína, meu círculo de amizades incluía pessoas que usavam cocaína também, mas a maioria usava maconha. E com a cocaína como ‘’remédio’’, eu podia fumar muita maconha com aquela turminha, sem ficar mal. E aquele uso que se iniciou com o desejo de fazer parte, de não ser o diferente, agora era motivado pela ideia de ser o ‘’mais louco’’ do grupo, o que fuma mais, o que usa mais. A minha distorção cognitiva era tanta que ser o mais louco, o que mais usa drogas, o que mais fuma e permanece em pé era status, e não irresponsabilidade. Porém, quanto mais maconha eu usava, mais cocaína eu cheirava para compensar, e isso foi se tornando um ciclo interminável, que foi me afundando cada vez mais na cocaína. “

“A MACONHA FOI MEU GRANDE GATILHO PARA O USO DE COCAÍNA”

A maconha foi meu grande gatilho para o uso de cocaína, uso este que, uma vez iniciado, era marcado pela compulsão pela droga. Buscava cada vez mais a cocaína, e passei a não só usar a cocaína para ‘’cortar’’ o efeito da maconha, como a usar a maconha depois para ‘’cortar’’ o efeito da cocaína.”

“PERDI A CONFIANÇA DA MINHA FAMÍLIA, PERDI EMPREGO E FUI PRESO”

“Esse ciclo foi se tornando cada vez mais intenso, e o uso de drogas cada vez maior, o que me fez perder o emprego, perder a confiança da minha família, ser preso pela polícia e prejudicar as minhas relações sociais, com amigos que não usavam drogas e relacionamentos amorosos. A maconha me tirou do círculo social de pessoas que não faziam o uso, e me inseriu cada vez mais profundamente na cultura do uso de drogas. Por fim, aquilo que começou como uma brincadeira inocente, como uma ideia de ‘’uso recreativo’’, de diversão, de alegria…se transformou no meu maior pesadelo: me tornei um dependente químico!”

“EM RECUPERAÇÃO, HÁ UM ANO E SETE MESES, AFIRMO: FOI COM MACONHA QUE COMEÇOU MINHA AUTODESTRUIÇÃO”

Hoje, em recuperação, posso afirmar por experiência própria que a maconha não é e nunca foi inofensiva na minha história: através dela se iniciou uma ‘’novela’’ de autodestruição em minha vida, onde, apesar da cocaína ter sido a protagonista, a maconha foi o restante do elenco que permitiu que a novela existisse.”