“Pelo amor de Deus, me ajudem a salvar meu filho!”

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“Ver meu filho morrendo aos poucos e não conseguir fazer nada!!!” DESESPERO DE MÃE DE DEPENDENTE DE CRACK, QUE IMPLORA POR INTERNAÇÃO INVOLUNTÁRIA URGENTE PARA SALVAR O FILHO QUERIDO. “ Sou professora aposentada e investi todas as minhas economias em 10 internações, psicólogos, psiquiatras, chá de Santo Daime e em Ibogaína, porque prometiam cura. Pedi ajuda em igreja, em centro espírita, enfim tudo o que se pode imaginar eu já tentei, mas até agora meu filho continua gravemente doente, usando droga, e cada vez mais violento. PELO AMOR DE DEUS, ME AJUDEM A SALVAR MEU FILHO!!”

Desespero de MARIA ELISA RECH DE OLIVEIRA, do Rio Grande do Sul, mãe que conheci no site da FEBRACI- Federação Brasileira das Clínicas Especializadas em Dependência Química. “Procurei a FEBRACI, depois que assisti a uma entrevista do fundador da FEBRACI Roberto Brunelli sobre internação involuntária”, contou ao Diário Antidrogas. “ Entrei em contato pedindo ajuda.”

Imediatamente, Roberto Brunelli enviou o pedido de internação involuntária a deputados e autoridades de Saúde Pública no Rio Grande do Sul. Faz uma semana mas, até o momento, nenhuma resposta.

Roberto Brunelli, fundador da FEBRACI

A FEBRACI , que tem como Presidente Renata Brunelli, é autora de documento reunindo TODAS AS LEIS para internação involuntária de dependentes de drogas. Leis federais que garantem tratamento com recuperação, respeitando todos os direitos destes pacientes. DOCUMENTO APRESENTADO AO MINISTÉRIO DA SAÚDE E AO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA E QUE ESTÁ EM AVALIAÇÃO.

Renata Brunelli, Presidente da Febraci

NO DOCUMENTO DA FEBRACI, AS EXPLICAÇÕES DOS MOTIVOS DAS 10 INTERNAÇÕES NÃO TEREM RECUPERADO O FILHO DA SENHORA MARIA ELISA. Em entrevista ao Diário Antidrogas, ela descreve um tratamento somente com remédios, com tempo curto de internação e SEM explicação e orientação sobre a grave doença, motivando portanto recaída logo após a alta. SEU DEPOIMENTO:

“‘Meu filho foi internado 10 vezes involuntário, com autorização da Justiça por seis vezes. Foram Internações em hospitais na ala psiquiátrica, por 28 dias, PERÍODO QUE O PSIQUIATRA CONSIDERA SUFICIENTE PARA DESINTOXICAR. OCORRE QUE DURANTE A DESINTOXICAÇÃO HOSPITALAR, ELE ERA MANTIDO COM FORTES MEDICAMENTOS CALMANTES. AO DAR ALTA, ERA MUDADA A MAIORIA DESSES REMÉDIOS. EM NENHUMA DESSAS INTERNAÇÕES, HOUVE TEMPO PARA MUDAR COMPORTAMENTO, ENTENDER COMO É A DOENÇA DEPENDÊNCIA QUÍMICA E, PORTANTO, ACEITAR O TRATAMENTO. Após a alta. era encaminhado para continuar o tratamento no CAPS ou continuar a internação voluntária em comunidades terapêuticas abertas.O QUE SEMPRE ACONTECEU, FOI , QUE LOGO APÓS SAIR DA INTERNAÇÃO, ELE RECAÍA. PORQUE FALTA A PERCEPÇÃO DOS ÓRGÃOS JUDICIAIS E DE SAÚDE EM SABER QUE ESSE TEMPO 28 DIAS NÃO RESOLVE, É DINHEIRO DO GOVERNO MUITO MAL INVESTIDO. DEVERIA SER INVESTIDO EM CLÍNICAS ESPECÍFICAS PARA TRATAMENTO DE DEPENDENTE QUÍMICO. “

A SENHORA MARIA ELISA DEFENDE O DOCUMENTO DA FEBRACI porque proíbe a abertura e o funcionamento de clínicas clandestinas, que põem em risco os doentes e exploram as famílias: “EU CONSIDERO O DOCUMENTO DA FEBRACI MUITO IMPORTANTE porque é necessário as clínicas particulares terem profissionais especializados- psicólogo, psiquiatra, terapeuta com ,pelo menos, curso em dependência química- Também monitores deveriam ter especialização para trabalhar nessas clínicas. Meu filho já passou por três clínicas pagas , que não ajudam em nada. Porque os monitores recaem, ficam um mês internado na própria clínica e depois voltam ao cargo de monitores. O terapeuta é dependente em recuperação, e sem formação. Falta enfermaria 24 horas, tem lugar sem higiene, sem alimentação adequada , sem nutricionista, sem espaço físico para esportes e com maus tratos.”

Maconha,. Foto: National Institute on Drug Abuse

SOFRIMENTO DEVASTADOR QUE COMEÇOU QUANDO O FILHO EXPERIMENTOU MACONHA, aos 17 anos, com colegas de escola.

“Depois ,cocaína até chegar no crack que se tornou sua droga de preferência.Começaram , então, boletins de ocorrência por ameaça e violência doméstica, com idas a CAPS e Defensoria Pública para conseguir autorização de internação.”

“Já não durmo mais sem calmante. Preciso de antidepressivos e ansiolítico, para me acalmar. Já não tenho mais vida própria e nem alegrias. No início tive vergonha, depois me culpei, tive revolta, mas hoje consigo falar sobre a doença de meu filho. Meu marido, ao contrário, ainda tem muita vergonha, não fala com ninguém sobre o assunto. É muito difícil pro meu marido entender que é doença, ele não aceita e já ocorreram muitas brigas entre ele e meu filho. Agora ele diz que não quer saber mais do assunto. Prefere não falar nem comigo, mas sofre muito.”

Pedras de crack

Por que esta mãe decidiu divulgar sua história? “Para implorar internação involuntária urgente para salvar o meu filho”, ela explica. Mas mais do que isso: “ Para as pessoas conhecerem minha história e com isso ajudar na luta por um tratamento humano para os dependentes. Fico muito feliz se conseguir ajudar alguém.”

COM A PALAVRA, A SENHORA MARIA ELISA RECH DE OLIVEIRA, EM ENTREVISTA AO DIÁRIO ANTIDROGAS

Diário Antidrogas – Quando o seu filho começou a usar droga ? A senhora saber dizer, quem ofereceu?

SENHORA MARIA ELISA – Meu filho tem 34 anos e é dependente de crack faz 16 anos. Começou a usar drogas aos 17 anos, com colegas de escola. NO INÍCIO, MACONHA. Depois ,cocaína até chegar no crack que se tornou sua droga de preferência

Diário Antidrogas- Quanto tempo demorou para a senhora descobrir que seu filho estava usando droga?

SENHORA MARIA ELISA– Acredito ter demorado uns seis meses para concluir que meu filho estava usando drogas. Ele começou a mudar o comportamento, ficar mais rebelde, agressivo, causar problemas na escola. No início pensei que fosse rebeldia da idade, 17 anos, mas aos poucos fui desconfiando. apesar dele negar, chegou um momento em que percebi que realmente era droga.No dia em que fez 18 anos fugiu de casa, mas logo percebeu que não tinha condições para se manter em outro lugar sem minha ajuda. Então morou por 10 anos em outro lugar, vivia entre trabalho e uso de drogas, mas ainda conseguia manter um emprego, namorada e amigos. Com o passar do tempo a dependência foi aumentando, perdeu a namorada que vivia com ele, perdeu os amigos, trabalho, começou aos poucos trocar o que tinha por drogas. Em 2014 teve a primeira internação involuntária numa clínica paga que ficou por cinco meses. Fiz empréstimo bancário para pagar a clínica , empréstimo com prazo de cinco anos . Teve alta na clínica e ficou bem , arrumou trabalho, mas não durou UM ano e recaiu.

Diário Antidrogas- Ele já foi internado quantas vezes?

SENHORA MARIA ELISA- Ele foi internado 10 vezes involuntário com autorização da Justiça por SEIS vezes. Essas internações ocorrem em hospitais na ala psiquiátrica tendo duração de 28 dias, que é o período que o psiquiatra considera suficiente para desintoxicar. Após a alta , é encaminhados para continuar o tratamento no CAPS ou continuar a internação voluntária em comunidades terapêutica aberta. OCORRE QUE durante a desintoxicação hospitalar são mantidos com fortes medicamentos calmante mas ao dar alta a maioria desses medicamentos é substituída.Assim não teve tempo para nenhuma mudança de comportamento e pensamentos e, logo nos primeiros dias, recai.

FALTA A PERCEPÇÃO DOS ÓRGÃOS JUDICIAIS E DE SAÚDE EM SABER QUE ESSE TEMPO 28 DIAS NÃO RESOLVE, É DINHEIRO DO GOVERNO MUITO MAL INVESTIDO. DEVERIA SER INVESTIDO EM CLÍNICAS ESPECÍFICAS PARA TRATAMENTO DE DEPENDENTE QUÍMICO. ”

Diário Antidrogas -Como a senhora conheceu a FEBRACI?

SENHORA MARIA ELISA – Moro numa cidade pequena de interior e para participar de grupo de Naranon ou AMOR-EXIGENTE preciso me deslocar a outro município o que dificulta muito. Então entrei em alguns grupos online de apoio ao codependente. Participando em um dos grupos conheci Ricardo Alexandre Miguel e passei a assistir seus vídeos sobre como tratar dependência química. Num desses vídeos sobre como buscar ajuda para internação involuntária ele entrevistou Roberto Brunelli e tinha o contato da Febraci lá. Imediatamente entrei em contato pedindo ajuda, pois já faz três anos que meu filho não consegue mais trabalhar. Até arrumava emprego mas não durava 15 dias e ele sumia pra se drogar. E EU CONSIDERO O DOCUMENTO DA FEBRACI MUITO IMPORTANTE porque é necessário as clínicas particulares terem profissionais especializados- psicólogo, psiquiatra, terapeuta com ,pelo menos, curso em dependência química. Também monitores deveriam ter especialização para trabalhar nessas clínicas. Digo isso porque meu filho já passou por três clínicas pagas , que não ajudam em nada. Os monitores recaem, ficam um mês internado na própria clínica e ,depois, voltam ao cargo de monitores. Tem terapeuta dependente em recuperação e sem formação. Falta enfermaria 24 horas, tem lugar sem higiene, sem alimentação adequada , sem nutricionista. Sem espaço físico para esportes e com maus tratos.

Diário Antidrogas : Quanto a senhora já gastou no tratamento do seu filho e quantas vezes encontrou vaga na rede pública?

SENHORA MARIA ELISA – Durante esses anos de dependência química já gastei muito, foram vários empréstimos bancários. Tenho ainda mais TRÊS ANOS PARA PAGAR RENOVAÇÃO DE EMPRÉSTIMO. AGORA, NEM EU NEM MEU MARIDO TEMOS MAIS MARGEM PARA EMPRÉSTIMOS, porque já temos o limite de 30% do salário, mas não posso deixar meu filho morrer na rua sem tratamento. Então não sei como vai ser daqui pra frente. Como pagar?Ele precisa, no mínimo, seis meses! MAS acredito que, pela gravidade ,seja necessário mais tempo pra poder ficar bem e ter uma chance de viver. Meu filho sempre foi vaidoso, sempre gostou de andar bem arrumado, limpo e não acredito que se ele tivesse a liberdade de pensar iria querer viver na rua, dormindo nas calçadas procurando comida no lixo. Isso acontece porque é escravo do crack e não consegue se libertar. O gasto em valores foi enorme. Mobiliei três vezes apartamento pra ele e ele trocou tudo por drogas. Todos os móveis, tudo! Depois, aluguel quarto em pensão pra ele, mas trocava até colchão.

Diário Antidrogas -Qual palavra define o seu sofrimento e o que a doença do seu filho mudou em sua vida? De que forma seu marido apoia a senhora em toda essa busca para recuperação de seu filho?

SENHORA MARIA ELISA -Uma palavra pra definir meu sentimento eu não sei ao certo. Dor, tristeza, desespero, mágoa, medo, impotência . Mas o pior de tudo é a impotência, ver meu filho morrendo aos poucos e não conseguir fazer nada. Hoje já não durmo mais sem calmante. Faz uns cinco anos que preciso de antidepressivos e ansiolitico . Já não tenho mais vida própria e nem alegrias.No início tive vergonha, depois me culpei, tive revolta, mas hoje consigo falar sobre a doença de meu filho. Meu marido ao contrário ainda tem muita vergonha, não fala com ninguém sobre o assunto. É muito difícil pro meu marido entender que é doença, ele não aceita e já ocorreram muitas brigas entre ele e meu filho. Agora ele diz que não quer saber mais do assunto. Prefere não falar nem comigo, mas sofre muito. Acredito que para mãe é mais fácil falar. Saber que pessoas ouviram minha história e que pode com isso ajudar na luta por um tratamento humano para os dependentes é muito importante. Vou ficar muito feliz, se conseguir INTERNAÇÃO PARA O MEU FILHO E , MAIS AINDA ,SE MEU DEPOIMENTO AJUDAR ALGUÉM.

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